Quando vemos nossos filhos ainda tão pequenos tendo que lidar com sentimentos que nem nós, adultos, sabemos lidar, como medo, dor, ansiedade, é bem complicado, não é? E quando acontecem as frustrações? Como lidar? Primeiro de tudo, é importante entender que a frustração faz parte do desenvolvimento e do aprendizado de todos nós e, querendo ou não, ela acontece desde cedo.

Por que a frustração é importante para o desenvolvimento infantil?

Quando uma criança se acostuma a ouvir somente sim, a ter todas as suas vontades atendidas em todos os momentos, ela provavelmente se tornará um adulto intolerante e intolerável, rs. Isso porque ouvir “não” faz parte da nossa vida. Não é possível ter tudo o que queremos sempre e explicar isso para os pequenos é importante.

Em entrevista à revista Crescer, a psicóloga do Hospital São Camilo, Rita Calegari, afirmou que “as crianças também precisam entender que, ao longo da vida, é normal se decepcionar. É importante receber pequenas doses de frustração desde a infância”.

A capacidade de nos adaptar vem justamente quando nos frustramos com algo que está fora do nosso controle. Ter a capacidade de entender que o mundo não gira ao seu redor é importante para que a criança aprenda a ter espírito de coletividade, para que saiba conviver em sociedade. Não queremos que nossos filhos se tornem egoístas e nem egocêntricos e se quisermos que seja diferente, precisamos deixar que as frustrações aconteçam e ensiná-los a lidar com cada dificuldade.

Segundo a psicóloga Marilia Trevizan, do blog Psicologia Viva, “pais que protegem excessivamente os pequenos da realidade, entregam uma visão de mundo irreal, e que não poderá ser mantida em longo prazo. O adulto se sentirá enganado e despreparado para viver”. 

Algumas situações comuns de frustração no mundo infantil:
  • Perder uma partida de um campeonato.
  • Não ganhar presentes no dia do aniversário do irmão.
  • Tirar notas baixas nas provas.
  • Ver um brinquedo na vitrine de uma loja e os pais não comprarem.
  • Pedir para comer algo e não ser atendido.
  • Não ser escolhido para alguma atividade na escola.
O que fazer nesses momentos?
  • Primeiro, é essencial que nos atentemos a como reagimos nesse tipo de situação, as crianças são como esponjas e estão atentas a todas as nossas falas e ações. Quando agimos de forma agressiva ou dramática demais, não podemos cobrar de nossos filhos que eles ajam de forma diferente. Afinal, somos a principal referência que eles têm.
  • É importante também procurar sermos verdadeiros e manter sempre o diálogo, abaixando-se na altura deles e explicando de forma simples e tranquila tudo o que está acontecendo.
  • Se mesmo assim, continuarem descontrolados e agressivos, o jeito é esperar que se acalmem e só depois conversar.
  • Incentivar que sempre compartilhem os brinquedos, que ajudem nas tarefas de casa e que esperem sua vez é outra forma de inserir aos poucos o senso de coletividade dentro deles e mostrar que a vida é feita de perdas e ganhos e que outras pessoas estão envolvidas no nosso mundo.
Cuidado:

Deixar que nossos filhos se frustrem não quer dizer que não devemos dar atenção a esses momentos. O diálogo, as palavras usadas com carinho são sempre algo que vai confortá-los e ensiná-los a serem mais fortes. É importante também observar quando as frustrações forem muito frequentes, como ser sempre ignorado pelos colegas de classe, tirar sempre notas baixas na escola e não ter um bom relacionamento com outras pessoas do seu meio são fatores que merecem um cuidado maior e talvez até a procura por uma ajuda profissional.

Educar não é uma tarefa fácil, é uma responsabilidade gigante prepararmos outro ser humano para a vida, é um trabalho de formiguinha, inserido aos poucos e por alguns anos, até que nossos filhos estejam preparados para encarar o mundo de gente grande de frente, com coragem e resiliência, mas sabendo que, independente das decepções da vida, terão sempre um apoio e uma orientação do lado de cá quando precisarem.

FONTES: https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Comportamento/noticia/2013/12/frustracao-por-que-ela-deve-fazer-parte-da-vida-do-seu-filho.html

https://blog.psicologiaviva.com.br/frustracao-infantil/

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