Oi pessoal, hoje, vou contar pra vocês como é o dia a dia de uma criança com APLV.

Quando o Gael tinha 1 ano e meio, começamos a notar algumas reações diferentes nele. Uma tosse seca, as fezes foram ficando mais claras, não dormia bem a noite, chorava bastante. A pediatra dele solicitou vários exames para descobrir se ele tinha desenvolvido algum tipo de alergia. E adivinhem o resultado? Alérgico à proteína do leite de vaca. Um tipo de alergia que geralmente acomete as crianças até os 3 anos de idade. Pode dar mais tarde, mas é um pouco mais raro de acontecer.

Fomos a uma gastropediatra e ela nos explicou como seria a alimentação daquele momento em diante. Preciso dizer que não foi nada fácil fazer essa adaptação. Nem pra ele e nem pra gente. Não se trata de limitar uma coisinha ou outra que a criança vai comer. Não é como a intolerância à lactose. APLV significa tirar do cardápio “qualquer” alimento que contenha traços de leite de vaca. Alguns alérgicos têm uma tolerância maior, mas no nosso caso, a alergia era severa. A partir daí, começaram nossos desafios.

As idas ao mercado demoravam muito mais porque tínhamos que ler todos os rótulos dos produtos para saber quais deles o Gael poderia consumir ou não. Substituímos a fórmula que ele tomava pelo leite de soja. Nessa fase, eu ainda amamentava e também teria que entrar nessa dieta se quisesse continuar a amamentação. Não tive dúvidas, mudei meu cardápio totalmente para que pudesse continuar.

Os desafios não pararam por aí. As festinhas de aniversário e outros encontros sociais traziam muito desconforto também. As pessoas ofereciam pra ele todas aquelas delícias que têm nas festas e eu tinha que ser a chata que cortava o barato rs. Na verdade, essa coisa de oferecer alimentos para os filhos (pequenos) dos outros sem pedir autorização pra mãe sempre achei o ó. E aí, com toda paciência do mundo, nós tínhamos que explicar que ele não podia e blá blá blá… A minha sorte é que o Gael não é muito chegado em doces até hoje. O problemas são os salgados… Coxinha, esfirra, lanchinhos, etc.

Como eu disse antes, não é uma tarefa fácil, a alimentação fica mais restrita, mas, com o tempo, a gente foi de adaptando. Hoje, o Gael já está com 2 anos e 11 meses, a alergia melhorou bastante, mas ele ainda tem. Então, os cuidados por aqui continuam. Queria também pedir às pessoas que respeitem os pais dos filhos que têm qualquer tipo de alergia ou intolerância a alimentos. Não se trata de exagero, se trata de cuidado e responsabilidade. A APLV, quando não tratada, pode trazer consequências gravíssimas para as crianças. E só quem passa por isso no dia a dia sabe do que estou falando.

Um beijo grande,

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